Você já sentiu que, não importa o quanto se esforce, existe uma voz lá no fundo dizendo que você "não é bom o suficiente" ou que "as pessoas sempre vão te decepcionar"? Na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), chamamos essas ideias profundas de Crenças Nucleares.
Se imaginarmos nossa mente como uma árvore, os pensamentos automáticos (aqueles que surgem no dia a dia) seriam as folhas. As Crenças Nucleares seriam as raízes: elas estão escondidas debaixo da terra, mas são elas que sustentam tudo o que cresce acima.
As crenças nucleares são as ideias mais fundamentais e duradouras que temos sobre nós mesmos, sobre as outras pessoas e sobre o futuro. Elas funcionam como "lentes" através das quais enxergamos a realidade. Se as suas lentes estiverem "sujas" ou distorcidas, você verá o mundo de forma embaçada ou ameaçadora, mesmo que a realidade à sua volta esteja clara.
Geralmente, essas crenças começam a ser formadas na infância e na adolescência, baseadas em nossas experiências, no que ouvimos de figuras de autoridade e na forma como fomos cuidados. Com o tempo, passamos a aceitá-las como verdades absolutas, sem nunca questioná-las.
Judith Beck identifica que a maioria das nossas crenças negativas se encaixa em três grupos principais. Veja se você identifica alguma delas na sua história:
Desamparo: É a crença de ser incompetente, frágil, inadequado ou incapaz de lidar com os desafios. "Eu sou impotente", "Eu não consigo dar conta", "Sou um fracasso".
Desvalia: Relaciona-se ao valor pessoal. A sensação de ser uma pessoa ruim, sem importância ou "defeito". "Eu não tenho valor", "Eu sou uma pessoa má", "Eu não mereço nada de bom".
Não ser amado: É o medo profundo de ser rejeitado, de ser indesejável ou de ficar sozinho para sempre. "Eu não sou atraente", "Ninguém nunca vai gostar de mim de verdade", "Eu sempre serei rejeitado".
O grande problema é que nossa mente tem um mecanismo chamado "viés de confirmação". Isso significa que passamos a vida inteira focando em situações que confirmam nossa crença e ignorando tudo o que prova o contrário.
Se você acredita que é "incompetente", você vai ignorar os dez elogios que recebeu no trabalho e passará a noite inteira pensando no único erro bobo que cometeu. Para você, esse erro é a "prova" da sua incompetência, enquanto os elogios foram apenas "sorte".
Muitas pessoas acham que nasceram assim e que vão morrer assim. A boa notícia da TCC é que crenças são aprendidas e, portanto, podem ser desaprendidas.
Na terapia, nós fazemos um trabalho minucioso de:
Identificação: Descobrir qual é a crença que está gerando tanto sofrimento.
Questionamento: Vamos olhar para a sua história de vida e buscar evidências. Será que você é realmente 100% incompetente o tempo todo? Ou será que essa é apenas uma ideia antiga que parou de fazer sentido?
Construção de uma nova crença: O objetivo não é criar uma ilusão de perfeição, mas sim uma visão realista e equilibrada. Em vez de "Sou um fracasso", trabalhamos para chegar a: "Eu sou um ser humano com qualidades e defeitos, que acerta muitas vezes e erra em outras, como qualquer pessoa".
Mudar uma crença nuclear não acontece da noite para o dia — afinal, estamos mexendo na raiz. Porém, conforme começamos a limpar as lentes pelas quais você enxerga a vida, as emoções começam a ficar mais leves e as atitudes mais seguras.
Você não precisa continuar sendo refém de ideias que foram plantadas na sua mente há anos. Existe uma forma de reconstruir a sua autoimagem com base na realidade de quem você é hoje.